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‘Interieur’: A Bienal do design

20/10/2010

Que melhor montra do design europeu que a Bienal de Kortrijk? A pergunta ficará com uma resposta difícil de encontrar, ou não fosse a INTERIEUR, como se chama esta feira internacional de design, uma mostra privilegiada das melhores marcas europeias do setor da arquitectura e design de interiores.

 

Claramente em contra-ciclo, a INTERIEUR recusa crescer em número de expositores e prefere apostar no elevado nível de qualidade e especificidade de quem nela participa.

 

Este facto leva a que esta feira seja alvo de cobiça para quem lá quer expor, e ponto de interesse irrecusável para os profissionais do sector (imprensa especializada, designers, arquitectos de interiores), e público em geral, já que depois do primeiro dia, a feira abre as portas a todos os que a queiram visitar.

 

É assim que acontece a cada dois anos, desde 1968, na pequena localidade flamenga de Kortrijk, 90 kms a norte de Bruxelas.

 

Foi neste palco, que os decoradores da QuartoSala  mais uma vez testemunharam o facto de nesta 22ª edição, a INTERIEUR continuar com uma intensa actividade paralela. De portas abertas durante 9 dias, a feira revela o que têm para mostrar as cerca de 250 marcas internacionais presentes, mas abre igualmente um forte espaço de debate e reflexão sobre o presente e o futuro do design de interiores.

 

O tema da feira continua a ser o mesmo desde a primeira edição: ‘The New World’. Ao fim de mais de duas décadas de existência, continua a ser pertinente o debate em torno do ‘estado da arte’ no design.

 

Como diz o director criativo de uma das mais conceituadas e históricas marcas do design italiano, e membro do júri da Bienal, Giulio Cappellini, “O design é cada vez mais uma disciplina transversal. Está presente em todos os campos da criação, desde o mais efémero e simples objecto utilitário, a uma peça especial que escolhemos comprar.”

 

É por isso que a INTERIEUR está longe de ser só uma feira, ou mais uma no extenso calendário das mostras internacionais de design, ela é um pólo de discussão e debate por excelência, reflectindo consequentemente, a nossa consciência colectiva enquanto consumidores.

 

E nesta perspectiva, o design de interiores desenha-se num caminho talvez menos glamoroso, mas onde o elevado nível de conforto e qualidade que exigimos se manifesta através de pequenas subtilezas, como sendo os automatismos tão sofisticados nas formas e funcionalidades, quanto discretos nas suas manifestações estéticas.

 

É esta mesma simplicidade que é evidenciada nas criações do novo ‘menino prodígio’ da arquitectura contemporânea, o japonês Junya Ishimagi, o ‘Guest of honour’ da edição deste ano da INTERIEUR, e na sobriedade das criações pragmáticas e algo subversivas do belga Bramm Boo.