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QuartoSala entrevista Jader Almeida

05/05/2017

Este jovem designer brasileiro marca presença na nossa loja no Príncipe Real com as suas peças de linhas puras e poéticas.

Jader Almeida começou aos 16 anos manuseando a madeira. Fez o curso de arquitetura em Chapecó, Santa Catarina, num dos estados mais a sul do território brasileiro. Hoje é um nome conhecido nos palcos do Design Internacional, associado a um racionalismo no traço mas também a uma linguagem poética.

Como busca a racionalidade no Design, sendo ele uma disciplina tão emotiva?

A racionalidade está presente como um exercício constante de chegar ao essencial. Não é apenas o significado direto da palavra, mas sim um pensamento mais abrangente. Na minha obra creio que essa racionalidade é visível na honestidade dos materiais, na forma como eles vão envelhecer com dignidade, com consistência, resistindo à passagem do tempo e permanecendo intemporais. Eu procuro encontrar esse equilibro nas minhas peças.

 De que forma o seu design traduz uma Brasilidade?

Obviamente eu tenho um filtro cultural bastante preciso e linkado à cultura brasileira, eu nasci e cresci no Brasil. Mas não gosto de rotular as minhas influências de uma forma tão superficial. Sendo o Brasil um país de dimensão continental e sendo tão multicultural, nós podemos ser qualquer coisa. A brasilidade está no inesperado e numa certa beleza despretensiosa. Por outro lado, acredito que a minha criação também tem algumas raízes no modernismo brasileiro que foi um dos mais importantes movimentos dos últimos anos e que foi uma transformação no modo de viver e interpretar os espaços, a arquitetura e as cidades.

Um dos protagonistas desse movimento foi Sergio Rodrigues....

Sergio Rodrigues configura-se nessa época, como outros arquitetos, como um grupo de criadores que precisavam de equipar todo o interior dos novos espaços e dos edifícios de Brasília que estava a ser edificada. Sergio Rodrigues foi um dos grandes expoentes desse período da história e se transformou num dos grandes designers do Hemisfério-Sul, não só do Brasil. É claro que essa influência me impactou bastante, não só pela aprendizagem, mas também por me identificar muito com esse trabalho. Naturalmente essa herança reflete-se em algumas peças e em alguns detalhes da minha criação.

Qual a sua relação com Portugal e com Lisboa?

Ainda só estive uma vez em Portugal, mas num primeiro impacto tudo nos parece muito familiar e próximo. É uma relação muito natural. No que diz respeito à arquitetura conheço o trabalho de Álvaro Siza, é um dos grandes nomes da arquitetura mundial com o qual me identifico e admiro bastante. Em relação a Lisboa tenho o meu trabalho integrado num hotel no Chiado, num projeto em que a QuartoSala participou na curadoria de produto. Creio que que foi uma porta de entrada para Portugal, abrindo caminho a tudo o que está vindo pela frente.