Paris
dita Tendências de Decoração para
2004
Todos
os meses de Setembro, Paris transforma-se na capital
de tendências em matéria de decoração.
Este final de 2003 não foi excepção.
A cidade viveu em grande estado de euforia.
Reunindo criadores, decoradores e industriais europeus
nos principais salões da especialidade, a cidade
concentrou todas as suas forças para espelhar
o "glamour" do "What´s next",
para o ano de 2004 que se aproxima.
O Salão "Maison et Objet" é
um dos pontos chave de um roteiro incontornável.
Este
ano teve a sua orientação temática
baseada em três importantes eixos, definidos pelas
palavras:
- Treasure - Play - Happiness -
Sobre cada uma destas palavras ergueram-se diferentes
áreas de exposição montadas com
materiais alusivos às sensações
que elas nos podem transmitir.
Poderá parecer dispensável, mas este tipo
de abordagem permite-nos entrever de uma forma intuitiva
alguns valores que deverão nortear a criação
e produção de novos produtos de decoração
num futuro próximo.

TREASURE
- Esqueça o "minimalismo" e viva o
"maximalismo".
Num mundo em que a realidade se apresenta formatada
em todos os sentidos, as pessoas procuram sensações
intensas que despertem para a vivência de novas
realidades.
Por isso quando falamos de "maximalismo",
estamos a falar de hipersensibilidade, de sobredimensão
e da fuga ao rigor das formas.
Vêm aí os materiais flexíveis e
adaptáveis.
Alguns materiais poderão ver ligeiramente alteradas
as funções para que estão tradicionalmente
vocacionados.
Não é difícil prever que os móveis
passem a ser feitos em vidro, borracha ou cartão
prensado.
São definitivamente tempos de prazer, sensualidade
e volúpia.
O elemento Natureza faz a sua incursão expressando-se
através de uma espécie de "Art Nouveau"
mais depurada.
Esculturas de elementos naturais estão presentes
reforçando a tendência "Ethnic Chic"
que se revela agora em todo o seu esplendor.
Cores como o amarelo, o rosa, o castanho e o verde natureza,
menos ácido do que os últimos anos nos
acostumaram, trazem-nos um clima energético que
rompe com a formalidade dos últimos anos.
Os excessos estão também patentes na incursão
por materiais preciosos como o ouro, prata, platina
e o cobre. Todos eles nos dão a verdadeira dimensão
do luxo no que ele representa de excessivo.
Estes materiais abrem-nos as portas de um Oriente que
parece ensaiar um novo retorno.
PLAY
- Com o medo de um futuro incerto, parece que a palavra
de ordem é cada vez mais: "viva feliz todos
os seus momentos. Aproveite a vida, sinta-se feliz e
faça o seu mundo de pequenos nadas".
Nas palavras de Elizabeth Leriche, "a casa transforma-se
num lugar de refúgio para a vivência de
um estado de graça".
Incutir felicidade parece ser a função
que deve estar subjacente a todas as actividades do
lar.
Assim a culinária poderá estar definitivamente
em alta com a elaboração de receitas de
cores intensas, deliciosas e estimulantes ao olhar.
As alterações de escala também
podem conferir alguma surpresa fazendo entrever proporções
exageradas em móveis ou em objectos pontuais.
Tendência para uma certa "mise en scène"
na decoração das nossas casas, que se
adapta assim aos nossos estados de humor.
Nada parece querer ficar fixo e por isso as rodas e
os deslizantes são obrigatórios neste
novo modelo de decoração.
É crescente a convivência de elementos
tecnológicos como a televisão e o computador
dentro de uma decoração onde permanecem
elementos tradicionais. Por isso estes novos elementos
tecnológicos tenderão a tomar novas formas
e cores cheias de humor. Funcionam cada vez mais como
"spots" de contraste dentro do todo.
De qualquer forma, o lado meramente prático/funcional
deverá deixar lugar a uma função
lúdica, sensorial e de prazer interactivo.

HAPINESS
- Todos os objectos têm agora uma função
lúdica, transmissora de alegria e propulsora
de um espaço de intimidade para uma vivência
de felicidade integral.
O efeito de subversão e surpresa está
presente nos mais pequenos detalhes.
Um móvel forrado de uma cor extravagante no seu
interior desperta-nos e enche-nos de alegria. Uma flor
gigantesca pintada na porta de entrada lembra-nos que
a felicidade é feita de pequenos e grandes gestos,
que nos acordam para novas realidades.
O aspecto recreativo que nos invade é também
permeado por múltiplas vivências de realidades
imateriais que entram pelas nossas casas. Os aspectos
interactivos são aqui determinantes.
Os objectos tendem a ser um convite energético,
promovendo uma interacção saudável
e excitante.
A toda esta actividade está sempre associado
um sentimento de maturidade ecológica quanto
à tecnologia.
Ser feliz com e não contra a tecnologia.
Ficámos felizes de saber que a tecnologia tenderá
a interagir de uma forma mais estimulante com a decoração
das nossas casas, abandonando um design algo severo
a que nos acostumou nos últimos anos do século
passado.
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