Como
serão as casas no futuro?
Quais os estilos de amanhã?
Como
é que vão ser as nossas casas no futuro? Que tendências
vão determinar os estilos da decoração de amanhã?
Para ajudar a responder a estas questões, a Feira Internacional
do Móvel de Colónia (imm cologne2003) convidou dois
designers de vulto, Karim Rashid e Konstantin Grcic,
a apresentarem as suas visões para o futuro.
Karim Rashid
Estamos
constantemente rodeados por design no nosso dia-a-dia,
e simplesmente não conseguimos evitá-lo.
Está em todo
o lado, desde a torradeira á mesa da cozinha, e do teclado
do computador ao nosso local de trabalho, aos nossos
carros, roupa interior, mobiliário e pratos....
Karim Rashid
Tudo é desenhado e tem uma forma
dada pelo seu criador. Contudo, o design deve obedecer
a uma larga variedade de requisitos, um dos quais é
o aspecto técnico/funcional, afinal o design deve ter
um propósito. Que utilidade tem um sofá lindo se não
for confortável?
Complementar
ao aspecto puramente técnico há ainda que adicionar
o aspecto estético, que tem um papel importantíssimo:
um sofá exclusivamente funcional também não tem muita
graça....tem que ter alguma coisa, algo que apele aos
sentidos, deve dar-nos grande prazer comprar, olhar
e possuir.
Dois dos
mais importantes designers do nosso tempo decidiram
olhar de perto para este contraste entre a necessidade
formal e a "liberdade estética". A "Casa Ideal" de Colónia
serve de tela e moldura para expressarem as suas visões
pessoais dos estilos do futuro.
Rashid, que
desenha objectos do dia-a-dia, trabalha de acordo com
o mote: "Quero mudar o mundo.". A sua versão da "casa
ideal" serve como que uma imagem tridimensional do que
o seu "mundo de amanhã" poderá parecer. Os seus desenhos
eliminam estruturas espaciais e as clássicas barreiras
funcionais.
Corpos sensuais
e orgânicos transformam a casa numa caverna moderna
cheia de equipamentos hi-tech e todo o tipo de conforto
imaginável, definindo assim a visão do designer de "vivência
tecnorgânica".
Konstantin Grcic
Konstantin
Grcic, por outro lado, fica-se pela simplicidade funcional
e minimalista e adora quando "a utilidade de um objecto
não é imediatamente reconhecível. Acho charmoso os objectos
guardarem um segredo e que não se reconheça á primeira
vista se trata de uma cadeira ou de uma tábua de madeira,
por exemplo."
Grcic
acredita que a "casa ideal" é aquela que aparece despida,
uma casa sem mobiliário, mas que apesar disso é feita
de mobiliário. Tem uma arquitectura que consiste de
estantes e armários, e que transforma as paredes em
práticos espaços de arrumação. Olhando uma segunda vez,
a "casa ideal" é um gigante contentor de arrumação.
É
possível arrumar coisas, dá abrigo, cria ordem, torna
as coisas invisíveis, e administra e protege o seu dono
do mundo de objectos - tudo aquilo que é importante
e o que não é, o valioso e o que não é, o que é útil
e o que não é......É um espaço aberto, e os espaços
abertos são vitais para a nossa existência, uma vez
que nos dão o ar que precisamos para respirar, o espaço
que necessitamos para desenvolver a paz e o sossego
que precisamos para pensar, e uma plataforma para agirmos.
Como
o palco de um teatro, um espaço aberto pode constantemente
ser adaptado a diferentes actividades, necessidades
e temperamentos dos seus residentes. A "casa ideal"
de Grcic não implica a existência de determinadas coisas,
mas antes um mundo de variedade. Não é uma questão de
vazio...é antes uma questão de luxo!
São estas aproximações contraditórias destes dois designers
que geram discussões produtivas e debates, e são precisamente
estas contradições que dão o ímpeto para a criação de
novos desenhos.
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